

A primeira fase da pesquisa confirma a vocação do Largo Paissandu para sediar locais de entretenimento. Mesmo no final do século 19, quando era um “descampado alagado e cheio de sapos”, o largo era um dos três locais da cidade onde se podia ouvir “boa música”. As domingueiras eram um programa concorrido, frequentado principalmente pelos imigrantes europeus. Isso além de espetáculos de circo, que se instalavam nos terrenos vagos do entorno. O primeiro registro encontrado até agora data de 1887. Trata-se do anúncio da chegada e início de temporada do Grande Circo Irmãos Carlo, durante o mês de abril.
O Moulin Rouge, cabaré que marcou a vida noturna da cidade na virada do século 19 e início do 20, funcionou em um casarão que ficava onde hoje está o prédio da Secretaria de Cultura, na esquina com a rua Dom José de Barros. Esse casarão se tornaria, em 1905, o Teatro Carlos Gomes, que cederia lugar ao Teatro Variedades, depois Teatro Avenida para, finalmente, se tornar o Cine Avenida, famoso por suas sessões duplas. A partir daí, começam a proliferar os cinemas, que passam a ocupar a avenida São João até a Praça da República. O prédio atual, que abriga a Galeria Olido, foi erguido em 1957.
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O encontro de segunda-feira no Paissandu recolheu o depoimento de 13 artistas de circo, da velha e nova gerações. O palhaço Cigarrito abriu a tarde, úmida e carolenta. A seguir, Hugo Possolo contou que foi no Paissandu que seu coração despertou para a arte de fazer as pessoas rirem. “Vim ao Paissandu pela primeira vez aos 17 anos, para procurar uma partitura de música e acabei descobrindo os encontros das segundas-feiras”, contou.
O evento, promovido pela Pindorama Circus como parte da pesquisa que está levantando a história do circo no Paissandu, financiada pela Secretaria Municipal de Cultura, reviveu os bons tempos do Café dos Artistas. Como a época em que o local ficava cheio de donos de circo e empresários a procura de novos números para seus espetáculos. “Seu Joy”, acrobata e paradista, contou que costumava se fazer de difícil para aumentar o cachê. “Aparecia no Café e, quando todos já tinham me visto, sumia”, contou. Quando o empresário estava quase desistindo, aparecia para negociar. “Estava conversando lá fora, com outro empresário”, justificava.
Além de Possolo e “seu” Joy, foram ouvidos o mestre Maranhão, o circense José Wilson; a lutadora Lana; Roger Avanzi, o palhaço Picolino; Ayelson Garcia, filho do palhaço Figurinha e neto do Piolin; o mágico e engolidor de espadas Yorga; Toninho da Galeria, um dos fundadores da Galeria do Rock; o palhaço Xuxu e os pesquisadores Ermínia Silva e Mário Bolognesi.
Trechos dos depoimentos serão publicados neste blog. Fique atento.
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